Artigo: Por que os fundos de pensão não investiram no Master? – por Ricardo Pena*
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Uma pergunta persiste, desde a liquidação do Banco Master, realizada pelo Banco Central, em novembro de 2025. Por que os fundos de pensão, de natureza privada, resistiram aos encantos das altas taxas de rentabilidade oferecidas e não investiram na instituição? Para surpresa do mercado financeiro, não foram encontrados investimentos diretos (CDB, LFT) ou indiretos (via fundos de investimento).
Esse pode ser apenas um exemplo evidente de maturidade e evolução na gestão do Regime de Previdência Complementar Fechada, que aprendeu muito com as crises reputacionais do passado. O setor é altamente regulado por instrumentos modernos de supervisão e fiscalização, e busca conformidade para além das regras, tendo a análise de risco, como preponderante para a tomada de decisão.
Para análise, é fundamental distinguir dois sistemas: o Regime de Previdência Complementar Fechada – popularmente conhecido como fundos de pensão, e o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), às vezes confundido com o primeiro. Os 264 fundos de pensão administram R$ 1,4 trilhão em reservas previdenciárias, pertencentes a 8,3 milhões de participantes, assistidos e dependentes. São regulamentados por duas leis complementares de 2001 (108 e 109), e fiscalizados pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).
Os 2.132 RPPS de Entes Federativos administram R$ 350 bilhões em reservas para 7,7 milhões de segurados e beneficiários (servidores públicos). São regidos pela Lei nº 9.717/1998, e fiscalizados pela Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social.
A Previc adota modelo de supervisão baseada em riscos, já consagrado no setor financeiro, que vai além da supervisão baseada somente em regras e limites. Os 18 RPPS que perderam R$ 1,8 bilhão no Master estão focados nas regras, apenas.
Continua…
*Ricardo Pena é Diretor-Superintendente da Previc
O artigo acima foi publicado na última sexta-feira (01/05) no portal Jota.
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